06de Julho,2020

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ValenteCruz

ValenteCruz

Thursday, 02 July 2020 17:00

DraveTrail_20

Para além de alguns eventos mais esporádicos na serra do Gerês, existem dois eventos de realização anual que se tornaram num lugar comum para mim (quiçá uma necessidade espiritual): o DraveTrail e o sunrise@CântaroMagro. Este ano, a pandemia Covid-19 acabou por tornar inviável a realização dos eventos, mas tal não significa que os mesmos não possam ocorrer noutros moldes. E se não convém que existam ajuntamentos de pessoas, que seja então em modo solitário.

O DraveTrail ocorria em meados de maio, quando as encostas da serra da Arada estavam pintadas numa ternura púrpura. Por adiamentos vários, apenas consegui fazer a minha visita anual à mágica Drave no final de junho. O percurso escolhido foi o mesmo de 2015, mas com início em Cabreiros e descida ao rio Paivô. Saindo da aldeia, apanhei o Caminho do Carteiro e desci acelerado em direção ao vale mineiro. Passei pelo misterioso Poço Oito e prossegui depois para o rio. Cruzei a mina e cumprimentei de relance Rio de Frades, ainda adormecida.

O percurso objetivo abandonava o alcatrão e entrava numa encosta do rio. Porém, quando já andava a rastejar, tive de abortar o plano porque o trilho estava fechado pela vegetação. Cruzei a ponte e desci para o rio Paivô, um pouco antes da mistura das águas com o rio de Frades. Seguiram-se cerca de três quilómetros de rio, de pedra em pedra ou pela água. Em algumas passagens mais técnicas, nos rochedos sobre as lagoas, existem cabos de segurança que tornam a progressão ainda mais espetacular. Numa das lagoas, e como a manhã já ia quente, aproveitei para o primeiro banho do dia.

Perto de chegar à saída do rio, apanhei a boleia de uma ribeira e fui conhecer a aldeia de Emproa, que já esteve à venda. Desabitada há várias anos, as casas de xisto estão a ser recuperadas e a estrada está a ser aberta. Passei ao lado de Covêlo do Paivô e aproveitei uma paragem para o segundo-pequeno almoço. Fiz-me depois na Senda do Paivô em direção a Regoufe. Fosse pela falta de treino de montanha ou pelo calor excessivo, notei que o corpo estava em desgaste excessivo e optei por descansar alguns minutos à sombra de uma árvore solitária.

Regressei ao caminho, suspenso na encosta sobre o rio, com melhores expetativas e cheguei por fim a Regoufe, onde aproveitei para abastecer de água. Vencido aquele primeiro quilómetro de pedra solta, o resto do caminho para a Drave fez-se sem problemas, mas por esta altura já tinha deixado a corrida e estava a fazer uma gestão de esforço do tendão de Aquiles. A visão, em mirarem, para a Garra, do outro lado do vale, era simultaneamente maravilhosa e assustadora.

Ver surgir a aldeia da Drave, encravada entre as encostas íngremes da serra da Arada, é sempre especial. Também como já é habitual, havia alguns veraneantes por lá, em especial na lagoa. Aproveitei para descansar um pouco no centro escutista, espreitei a nova casa do silêncio e retomei a caminhada pelo rio. Seguiram-se cerca de seis quilómetros pelo leito da ribeira da Drave e depois pelo rio Paivô. Pelo meio aproveitei para mais um banho numa das muitas lagoas límpidas e transparentes. Na passagem pelo lugar do Pêgo descobri que a grande lagoa tinha desaparecido por quebra da barragem de pedra. A caminhada no rio acabou por ser bastante desgastante, tanto física como mentalmente. Porém, sabia o que se seguia, o que ia servindo para enganar a mente.

Cheguei por fim a local de saída do rio e iniciei a longa subida da terrível Garra. Ao longe, visto do Alto de Regoufe, parece uma simples linha pela cumeada. Ao perto, já cansado, é excruciante. Serviram-me os bastões e a certeza que tinha de chegar a horas para o jantar. Como todas as boas subidas, quando olhamos para cima e vemos um topo, acreditamos que a subida terminará ali. Porém, lá chegados, há sempre mais para subir. Assim é a subida da Garra.

Passei depois na zona dos antigos Três Pinheiros, que atualmente está reduzido a um e com os dias contados. Ali as árvores também morrem de pé, com os braços moribundos estendidos ao céu árido da Arada. Entrei então no Trilho Inca, esculpido habilmente em lajes de xisto na encosta abrupta, ladeado por belas vistas sobre o vale. Passei de soslaio por Póvoa das Leiras, uma aldeia criada no topo dos socalcos que lhe alimentaram o povo durante séculos, e entrei na rota das Bétulas. A partir do ribeiro o trilho está coberto de sombra pelo arvoredo que se espalha pela ladeira. Depois da subida pela aldeia do Candal, a distância plana e alcatroada até Cabreiros foi vencida sem problemas.

Um DraveTrail solitário, com cerca de 32 km difíceis em cerca de 11 horas de montanha. O trilho pode ser visto aqui. A tecnicidade dos percursos da serra da Arada pode ser extenuante, enquanto se desafia o corpo e a mente. Mas a espetacularidade e beleza dos trilhos fazem também com que seja uma experiência incrível de comunhão com a Natureza. Quanto à Drave, a aldeia continua a fascinar-me a cada regresso. Sai-o de lá sempre com a sensação de ter estado num lugar especial, cheio de recantos e histórias, de um Portugal interior, inacessível e esquecido, mas que de alguma forma nos criou a todos.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Friday, 26 June 2020 17:00

Caminhos de S. Pedro Velho

Com o litoral envolvido por um mar de nevoeiro, subimos à Freita para o regresso às caminhadas pela montanha. O percurso escolhido acabou por ser o recente PR16 – S. Pedro Velho, que tem início junto ao encantador parque do Merujal. Depois de atravessar o bosque, o trilho sobe para o miradouro que que dá nome ao percurso, um geossítio com vistas privilegiadas para a zona envolvente e de onde se pode avistar meio Portugal, desde a costa atlântica, à Estrela e ao Gerês. Apesar de não ser o ponto mais alto da serra da Freita, a sua proeminência faz com que seja dos mais espetaculares.

O percurso desce depois para a aldeia de Albergaria da Serra e apanha uma antiga levada de água que acompanhada a ribeira Foz. Dali segue para o Junqueiro, onde é possível apreciar mais um fenómeno geológico curioso da serra, as pedras broas, assim nomeadas pela parecença granítica com as côdeas das broas. Atravessando o planalto despido, o trilho investe depois para o ponto mais alto da serra, junto ao panorâmico e fotogénico miradouro do Detrelo da Malhada, de onde se tem uma vista inteira sobre o vale de Arouca.

Serpenteando pelo parque eólico no cimo da encosta, passando pelas antenas e pelo radar de navegação marítima, a caminhada aproxima-se do fantástico bosque adormecido à sombra de S. Pedro Velho. Dali prossegue, desnecessariamente, ao encontro da estrada que passa no Merujal, com o alcatrão a servir de boleia final até ao parque.

Apenas com uma subida acentuada para o miradouro que dá nome ao trilho, os cerca de 13 km (trilho) pelo planalto da Freita fazem-se sem dificuldades, com boas vistas e geossítios interessantes. Nos dias de maior estio, a melhor forma de terminar o percurso é aproveitar as águas refrescantes do rio Caima na praia fluvial de Albergaria da Serra.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Saturday, 30 May 2020 17:00

desconFreitar

Num sábado de sol e marasmo resolvemos desconfinar na Freita para fugirmos ao previsível assalto às praias. Porém, também a Freita estava bastante concorrida, pelo menos nas zonas mais turísticas. Passámos o Merujal, o parque de campismo e fomos assentar o piquenique no bosque que fica abaixo do miradouro S. Pedro Velho (GC14ZF7). Depois de um período de descanso bucólico entre os vidoeiros, agendamos o regresso para o percurso PR16, e fomos dar uma volta de carro pelo planalto.

Aproveitámos para fazer a paragem habitual no miradouro da Frecha da Mizarela, que estava bastante concorrido. Foi curioso ouvir algumas pessoas a indagar sobre as formas para chegar junto das lagoas do rio Caima, enquanto recordávamos outras aventuras e desventuras pelos trilhos daquelas encostas. Seguiu-se uma lição de geologia e foi interessante interpretar a coexistência de milhões de anos entre o xisto e o granito (GC85A7J).

Descemos depois a serra e prosseguimos à descoberta da aldeia do Trebilhadouro (GC14Z63), em busca do mito das “três bilhas de ouro”. A curiosidade já tinha sido desperta há algum tempo, mas apenas agora se concretizou. Deixámos o carro numa sombra do estacionamento e aproveitámos para ler a história recente da recuperação da aldeia, desde o abandono até ao turismo. Subindo pela calçada, foi muito agradável descobrir as casas típicas e os espaços jardinados, ideais para umas férias bucólicas, longe do bulício citadino dos dias modernos. Apesar de pequena, a aldeia é muito acolhedora e parece estar muito bem recuperada.

Depois de calcorrearmos a aldeia fomos à descoberta das suas gravuras rupestres (GC63GKR). Como estava calor, a subida inicial ainda trouxe algum desgaste físico, mas assim que assentámos os pés no planalto tornou-se fácil chegar ao local histórico-artístico. A vegetação envolvente rasteira parece já ter recuperado do incêndio, mas seria bom que as encostas não sucumbissem aos eucaliptais. Chegados às gravuras aproveitámos para ler sobre o seu legado histórico. Fomos depois investigar os riscos e as formas descritas.

Deixando o Trebilhadouro para trás, descemos pela estrada ao reencontro do rio Caima e chegámos à barragem Eng. Duarte Pacheco (GC161RE). O manto de água é bastante fotogénico, em particular com uma boa exposição solar. Na travessia da barragem parámos a contemplar a água que escorria pela parede inclinada. Ficou a vontade de descer por ali em escorrega. Contornando a albufeira, fomos apanhar o rio depois da curva e cirandámos pela ponte e outros recantos (GC7ZKFZ). É sempre bom desconfinar na Freita.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

 

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