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19 October 2011 Written by 

Geotalk - Corvos

A praticar geocaching desde 2002, esta mítica equipa do geocaching nacional continua a marcar presença regular e entusiasta no jogo. Com uma atitude simples e generosa, convivem alegremente com várias gerações de geocachers. Sem complexos e com a mente livre e aberta, os corvos aceitaram partilhar connosco algumas das mil histórias que têm para contar!

 

Corvos, é habitual encontrar nos vossos logs uma assinatura personalizada, normalmente Isaac(s) e Lai. Mas quem são na realidade os membros da equipa ‘corvos’ na sua formação completa?

A nossa família, Mãe, Pai e filho e sempre que possível o nosso amigo AZ como carinhosamente lhe chamamos. Já fizemos com amigos também, alguns familiares sendo as avós as que mais aguardam por nós quando fazemos as nossas investidas pelo mato.

A vossa equipa é tradicionalmente associada ao team Greenshades! Como foi a vossa participação ou colaboração com esta mítica equipa do geocaching português? Que memórias guardam dos vossos primeiros passos nesta actividade?

Como fazem parte dos nossos amigos fomos convidados em Agosto de 2002, a participar no esconderijo da cache The Ways of Water. Chegámos a pensar que os deuses estavam loucos, como é que alguém vai descobrir este tupperware pintado de verde no meios de pedras e vegetação. Foi um dia inteiro para cima para baixo a explorar aquele espaço, o que não nos surpreende pois é a forma de eles estarem no geocaching e que em parte tentámos herdar.

Mas mais espectacular foi o dia que passámos na zona da Arrábida para apanhar três caches num só dia (Abril de 2003), sim nessa altura três caches num dia era obra! - Hanging Gardens of Babylon [Setúbal]; Cave of Santa Margarida. Preparámo-nos tirando fotocópia das cartas militares, analisámos os caminhos e depois seguimos em frente. O almoço foi no Portinho da Arrábida, pois a manhã tinha chegado ao fim. O meio-dia da tarde foi passado em Vila Nogueira de Azeitão na procura da cache num moinho abandonado The Windmill [Setúbal], com uma vista magnífica.

Depois com poucas caches e as que havia a pedirem grandes caminhadas fomos desistindo de os acompanhar. Assim sobrava-nos tempo para ouvir as suas histórias que eles nos contavam das caminhadas e aventuras.

Recentemente participaram no evento Geo Churrascada da Luta, e tivemos o prazer de vos ver numa fotografia que juntou os membros activos mais antigos do panorama nacional, carinhosamente apelidados de “dinossauros”! Sentem-se efectivamente pioneiros nesta actividade em Portugal?

Não. Não, nem pensar. O seu a seu dono. Carinhosamente quando nos conhecem, associam-nos aos Greenshades. Um marco para muito geocachers.

Gostámos bastante de participar na geochurrascada, pois como diz o Lamas é a reentré do geocaching, daí fazermos os possíveis por estarmos sempre presentes.

Aceitámos o convite da foto como uns dos mais antigos, sermos pioneiros julgamos que não foi a cem por cento.

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Do vosso ponto de vista, quais são as diferenças mais acentuadas entre o geocaching tal como o conheceram, numa fase embrionária, e o jogo praticado hoje por milhares de participantes?

Em 2002, a escolha era escassa, hoje é possível fazer uma maior selecção do que queremos encontrar e visitar.

Por vezes, vamos de férias para determinado sítio e a selecção condiciona-se à área onde estamos. Por vezes, apetece-nos dar um passeio, levamos as avós e fazemos as que nos apetece.

Os corvos são, na minha opinião, uma das equipas que melhor soube tirar partido da evolução natural do jogo! A vossa participação sempre genuína e entusiasta, ano após ano, é uma inspiração para muitos membros da nossa comunidade e demonstra uma fantástica capacidade de adaptação a esta nova era do Geocaching! Qual é o vosso segredo para continuar a retirar prazer e satisfação desta louca caça ao tupperware?

O segredo principal é mantermos o mesmo GPS que comprámos no final de 2003 (risos). Fora de brincadeiras, gostamos desta actividade porque além de nos fazer pensar, também nos liberta do stress que carregamos no dia-a-dia. Como diz o Isaac, é uma “terapia”, sem dúvida que é. Mesmo um DNF nos dá prazer, quando a cache significa algo importante para nós. Por vezes os logs até são feitos ou imaginados antes de visitarmos a cache. Dá-nos imenso gozo escrever.

Em resumo o geocaching é visto por nós como uma coisa boa da vida e não o contrário.

A Lai foi recentemente uma das estrelas do evento #Ar Geo-queda em Évora, surpreendendo tudo e todos com a sua fantástica determinação em desafiar as leis da gravidade! Este salto foi a concretização de um desejo antigo, ou antes uma vontade espontânea aquando da publicação do evento? Como foi vivida esta experiência de saltar de pára-quedas a 4200 metros de altitude?

Este salto foi uma junção de tudo, desejo antigo e espontaneidade.

Foi com muita satisfação que a Lai o fez, porque deu dois saltos, um na terra (o que procuramos todos os dias) e outro no ar (aquilo que desconhecemos), criando assim raízes bem seguras para aproveitar a vida. (Agora só falta mergulhar com os tubarões...risos).

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Gostou muito da equipa, tanto da organização, como de todos os participantes, porque nestas situações parece que ficamos mais transparentes, porque revelamos o medo ou a coragem aos nossos olhos e aos dos outros. Quanto á experiência, aconselha a todos porque a sensação é profundamente gratificante, inesquecível e duradoura.

A vossa inspiração para a escrita é admirável, alguns logs dos corvos são verdadeiras preciosidades! Inesquecível o relato da vossa visita à Torre do Bugio; épica a aventura na cache Piratas das Caraíbas@Lisbon; sentida a vossa homenagem ao Geocaching português na passagem pela Prodrive Top 50 / #4000; entre muitas outras magnificas exposições! Há de facto um prazer especial na componente narrativa das vossas experiências e aventuras?

Claro que temos um prazer especial na narrativa, e mesmo para aquelas caches em que não há muito para escrever tentamos sempre fazer qualquer trocadilho, assim como tentamos nunca repetir um log. Tal como os owners têm prazer em colocar uma cache, também nós ao escrever os logs mais longos é forma de agradecimento dessa mesma cache.

Engraçado que ao princípio escrevíamos no logbook e passávamos o texto para um caderno para ficar igual depois no log da página. Só mais tarde é que vimos que não era necessário e que podíamos dar largas à nossas imaginação, de tal modo que agora tentamos que os nossos logs tenham algo mais, ou um poema, citar um artigo e colocar uma foto de modo a enriquecer a nossa passagem pela cache.

Mas só um reparo há muito geocachers de quem somos leitores assíduos pela forma como nos relatam as suas histórias.

Praticamente a comemorar uma década de geocaching, gostava que partilhassem connosco alguns dos momentos mais marcantes, divertidos ou surpreendentes da vossa vivência como geocachers, neste longo voo dos corvos de GPS debaixo da asa?

Podemos não ter grandes caminhadas, mas já atravessámos Portugal mas é na nossa cidade que temos descoberto recantos magníficos, que parecem estar escondidos pela luz branca da república dos corvos.

Mas marcantes talvez o que já escrevemos num log e que mantemos como alguns dos momentos que esta actividade tem tido nas nossas vidas ao ponto de termos ficado incrédulos quando vimos a House of Diamonds, quando visitámos salas de cinemas cuja luz da ribalta se encontra apagada, foi uma memória que despertou os sentidos. Descemos as escadinhas do carvoeiro e vimos o mar aos nossos pés, subimos as sete colinas do Almeidara e foi com espanto que demos com o Elevador de Santa Justa sem ser necessário recorrer aos milagres de alguém que resolve todo o tipo de maleitas.

A Gripe das Aves também nos atacou, embora tivesse sido bastante forte nenhum foi à cama com febre, no entanto corremos para Alcantarilha quando pressentimos que algo de extraordinário ia deixar de existir. Ainda no Algarve embrenhámo-nos na floresta como se estivéssemos no País das Maravilhas e conhecemos os bonecos do “Barão”.

O Powertrail de Milfontes ficará sempre na nossa memória e nas pernas, pela aventura e pelos grandes momentos que vivemos, ter voltado à Gruta de Santa Margarida passados cinco anos ou deslocarmo-nos à Ilha Ínsua (Escape from the Mysterious Island- Caminha), na embarcação do Sr. Garrafão foram bons momentos que guardamos também.

Atravessar o Aqueduto à procura dos Reis de Portugal, onde destacamos a letterbox, fez-nos voltar aos livros de história, às cadernetas de cromos já guardadas na arrecadação, pesquisar a internet e visitar locais, pelos quais passávamos sem lhe dar a devida importância que merecem, tal como ter encontrado a Safira perdida numa aldeia deserta e fantasma ou a pitada de sal que este hobby nos proporciona na cache Sal da Cobra.

Talvez os momentos mais surpreendentes é quando encontramos geocachers no mesmo local à mesma hora e ficamos ali um tempão a falar de tudo e de nada, ou seja de geocaching, cada um a contar e a aconselhar outras caches, o que aconteceu recentemente numa cache com um team bastante jovem e simpático.

Sei que os corvos alimentam um logbook muito especial, ou livro de recordações, como gostam de lhe chamar…que género de lembranças recolhem e guardam nesse caderno de memórias?

Os nossos logs, as nossas fotos onde aparecem os spoilers e algumas trocas de e-mail com aqueles que comentam os nossos logs. E são nos álbuns que relemos os nossos logs e revemos os locais por onde passámos, consultamos muitas vezes ora para reler um log ou ver uma foto. Começou por ser só para as cem primeiras e agora está difícil parar.

Engraçado que é mesmo um álbum de memórias escritas.

Para terminar, Isaac e Lai, qual é a vossa opinião sobre a dinâmica online do geocaching em Portugal? Acompanham os diversos fóruns nacionais, os portais dedicados ao geocaching? São espectadores regulares do GeoPt.org? Na vossa opinião, em que medida estas iniciativas podem contribuir ou influenciar positivamente a evolução do jogo no seio da nossa comunidade?

Duma forma geral sim talvez agora mais o GeoPT.org, pois somos uns leitores assíduos da crónica “Faz Hoje...” que o Joaquim Jasafara tão carinhosamente alimenta, analisamos as estatísticas, pois mesmo sendo um número é interessante passar por elas de vez em quando.

Participámos nos Grandes Plásticos do Século, pois achámos a ideia bastante engraçada e motivadora para os owners nomeados e vencedores.

Também acompanhamos o site geocaching@pt, onde ainda recentemente fomos presenteados com o nosso log a ser escolhido no concurso mensal dos melhores logs.

Muito obrigada corvos pela disponibilidade em aceitar este convite, e por partilharem connosco um pouco das vossas vivências! Alguma geo-expressão favorita em jeito de despedida? “Abreijos”, “Obrigado bastante”, “Abraçitos”…?

“Voilá”, outra expressão usada por outros geocachers que gostávamos de ler os seus logs, eis a nossa resposta. Resta-nos agradecer com um “Obrigado bastante” também a Ti, Flora, pelo teu sorriso e pela forma como estás no geocaching, e por teres lembrado de nós.

Poderíamos despedir-nos com “Abreijos” ou “abracitos”, mas escrevemos até breve numa qualquer coordenada e quando gostamos muito grafamos “Obrigadão” seguido de um ponto final, com o nossa assinatura, corvos.



8 comments

  • Comment Link Paulo
Hercules 22 October 2011 paulohercules

    Como de costume, excelente!
    É sempre um prazer ler o que os Corvos escrevem.

  • Comment Link Lopesco 20 October 2011 lopesco

    Que domínio!!!

    Abreijos!!! (os originais.... :D)

  • Comment Link vsergio 19 October 2011 vsergio

    Epá, obrigado bastante, môços. :-)

  • Comment Link Joaquim Safara 19 October 2011 jasafara

    Mas que honra! Ser referido pelos Corvos.
    Que "inveja" que eu tenho da sua prosa poética, tornando empolgante o que dito por outro poderia soar banal.
    É sempre um grande prazer lê-los, prazer só ultrapassado por poder falar com eles. Já tive essa oportunidade duas vezes e espero fazê-lo novamente no próximo dia [url=http://www.geocaching.com/seek/log.aspx?LUID=b6be1d86-12a4-415d-b267-419b884b8974]28[/url]
    Como o migueis referiu, são um exemplo e uma referência.

  • Comment Link Teresa 19 October 2011 dakidali

    Grandes Corvos :)
    Quando forem aos tubarões avisem ;)
    Beijinhos

  • Comment Link JoãoGouveia 19 October 2011 Felinos

    uau! São estes relatos/ experiências que enriquecem o geocaching!
    obrigadão! ;-)

  • Comment Link prodrive
19 October 2011 prodrive

    Vénia!

  • Comment Link Oscar Migueis 19 October 2011 migueis

    Excelentes relatos, como sempre!
    Um fortíssimo abraço e beijinho aos corvos e um muito obrigado pela sua forma de estar no geocaching nacional. Um exemplo e uma referência.
    PS: Tubarões não por favor!

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