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20 February 2017 Written by  Miguel Trevas e Bruno Esteves

Cache e o Homem Estátua, Manuel Rodrigues Lapa

Deixamos para trás a Marinha Grande e o Vidraceiro e partimos rumo a norte na descoberta de mais uma estátua de uma figura relevante para a sociedade, neste caso, descobrimos alguém no campo da literatura, na sua vertente de investigação e ensino… seguimos a orientação do nosso GPS com destino a Anadia no distrito de Aveiro.

É a nossa segunda paragem nesta viagem na descoberta destes locais, o GPS guiou-nos a N40º 26.270’ W008º 26.577’. No local, uma pequena praça junto a uma rotunda, onde se encontra o busto de Manuel Rodrigues Lapa (1897-1989), a nossa figura de destaque neste artigo, um busto a que muitos não dão relevância e que fica assim esquecido da visualização e consequentemente da memória dos que por ele passam, provavelmente pela proximidade do cemitério local.

A página da cache GC3PQ0Q, já arquivada, apresenta informação relevante sobre o homenageado nesta estátua, dando a conhecer alguns elementos sobre a sua vida e sobre a sua obra, não querendo de todo menosprezar essa informação, vamos apresentar aqui factos sobre a estátua que o representa e aprofundar a relevância da sua vida enquanto ensaísta e investigador literário sem esquecer a sua luta politica que o levou ao exilio no regime do Estado Novo.  

O autor da estátua foi o artista plástico António Nobre, e a mesma foi inaugurada em 19 de Abril de 1974, sendo o promotor a Câmara Municipal da Anadia.

O conjunto escultórico é constituído por um busto e por um pórtico. O busto de bronze de cariz naturalista retrata o homenageado, está assente sobre um pedestal paralelepipédico de betão, enquanto o pórtico também ele de betão de composição geométrica se dispõe numa boa conjugação de luz e sombra, concebendo um certo equilíbrio ao conjunto.

O autor na sua ideia pretendeu que o pórtico, e nas suas próprias palavras, “simbolize a abertura para a liberdade das ideias, dos atos e das pessoas, como a de alguém que em vida foi vertical no pensamento”.

Pegando nestas palavras do autor da estátua, seguimos a pista das mesmas para descobrir um pouco mais da vida de Manuel Rodrigues Lapa.

A sua ação cívica e política levam-no a ser um opositor ativo ao regime do Estado Novo, tendo sido preso em 6 de Janeiro de 1949 para averiguações, isto após uma entrevista ao Diário de Lisboa do dia anterior. Entrevista essa em que criticou afincamento o estado da educação em Portugal, foi libertado sob caução de 20.000 escudos, uma fortuna à época.

Em 1957, exilado no Brasil, deu início ao leccionamento em várias universidades passando um período de grandes dificuldades. Apesar das dificuldades, realizou investigações sobre o Setecentos Politico e Cultural de Minas Gerais. Desse seu esforço de unir a docência à investigação, foi reconhecido com a medalha de mérito da Inconfidência Mineira, cujo patrono é Tiradentes, o herói da independência do Brasil.

Regressou a Portugal após o 25 de Abril, altura em que dirige o Seara Nova, “verdadeira Universidade de Democracia, prestigiosa tribuna de Sérgio, Cortesão e Proença", assim o terá dito.

Em 1985 foi agraciado pelo então Presidente da República Mário Soares com a Grã-Cruz da Ordem do Infante, e 1988 recebeu o doutoramento honoris causa pela Universidade de Aveiro.

A sua atividade científica centrou as suas investigações literárias e linguísticas sobre a Galiza, referindo várias vezes, “onde estão as nossas mais profundas raízes”, e no Brasil, onde as suas pesquisas abarcam o Século XVIII, muito em especial, os escritores que tinham entrado na Conjuração Mineira, como anteriormente referido liderada pelo Tiradentes.

"Homem inquieto, sensível e exigente" publicou várias obras. Do seu espólio de escritor, ensaísta e investigador realçamos apenas 3 obras para não tornar pesada esta crónica. De todas as formas a sugestão é que procurem conhecer e explorar a sua obra, caso a vossa curiosidade assim o demande. Assim, destacamos a “História da Língua e da Literatura Portuguesa”, “As «Cartas Chilenas» Um Problema Histórico e Filológico” (livro de memórias), e “Estudos Galego-Portugueses”.

Muito, se poderia escrever sobre este desconhecido para muitos de nós, e assim dar relevância a um busto perdido numa praça na Anadia, mas uma vez mais, o contributo da TSF numa excelente realização de Fernando Alves, com sonoplastia de João Félix Pereira, guia-nos de uma forma sonora pela descoberta de Manuel Rodrigues Lapa. Recomendo vivamente que escutem com toda a atenção o que nos contam, para tal disponibiliza-se o podcast do Homem Estátua.

Para terminar, fica aqui uma sugestão a algum ilustre geocacher da Anadia: que tal repor esta cache? Seria um excelente contributo para evitar o esquecimento desta estátua e para preservar a memória de Manuel Rodrigues Lapa.

Entretanto, proximamente, encontramo-nos junto a uma estátua!

Texto: Miguel Trevas

Fotos: Bruno Esteves /

 



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