02de Julho,2020

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ValenteCruz

ValenteCruz

Friday, 26 June 2020 17:00

Caminhos de S. Pedro Velho

Com o litoral envolvido por um mar de nevoeiro, subimos à Freita para o regresso às caminhadas pela montanha. O percurso escolhido acabou por ser o recente PR16 – S. Pedro Velho, que tem início junto ao encantador parque do Merujal. Depois de atravessar o bosque, o trilho sobe para o miradouro que que dá nome ao percurso, um geossítio com vistas privilegiadas para a zona envolvente e de onde se pode avistar meio Portugal, desde a costa atlântica, à Estrela e ao Gerês. Apesar de não ser o ponto mais alto da serra da Freita, a sua proeminência faz com que seja dos mais espetaculares.

O percurso desce depois para a aldeia de Albergaria da Serra e apanha uma antiga levada de água que acompanhada a ribeira Foz. Dali segue para o Junqueiro, onde é possível apreciar mais um fenómeno geológico curioso da serra, as pedras broas, assim nomeadas pela parecença granítica com as côdeas das broas. Atravessando o planalto despido, o trilho investe depois para o ponto mais alto da serra, junto ao panorâmico e fotogénico miradouro do Detrelo da Malhada, de onde se tem uma vista inteira sobre o vale de Arouca.

Serpenteando pelo parque eólico no cimo da encosta, passando pelas antenas e pelo radar de navegação marítima, a caminhada aproxima-se do fantástico bosque adormecido à sombra de S. Pedro Velho. Dali prossegue, desnecessariamente, ao encontro da estrada que passa no Merujal, com o alcatrão a servir de boleia final até ao parque.

Apenas com uma subida acentuada para o miradouro que dá nome ao trilho, os cerca de 13 km (trilho) pelo planalto da Freita fazem-se sem dificuldades, com boas vistas e geossítios interessantes. Nos dias de maior estio, a melhor forma de terminar o percurso é aproveitar as águas refrescantes do rio Caima na praia fluvial de Albergaria da Serra.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Saturday, 30 May 2020 17:00

desconFreitar

Num sábado de sol e marasmo resolvemos desconfinar na Freita para fugirmos ao previsível assalto às praias. Porém, também a Freita estava bastante concorrida, pelo menos nas zonas mais turísticas. Passámos o Merujal, o parque de campismo e fomos assentar o piquenique no bosque que fica abaixo do miradouro S. Pedro Velho (GC14ZF7). Depois de um período de descanso bucólico entre os vidoeiros, agendamos o regresso para o percurso PR16, e fomos dar uma volta de carro pelo planalto.

Aproveitámos para fazer a paragem habitual no miradouro da Frecha da Mizarela, que estava bastante concorrido. Foi curioso ouvir algumas pessoas a indagar sobre as formas para chegar junto das lagoas do rio Caima, enquanto recordávamos outras aventuras e desventuras pelos trilhos daquelas encostas. Seguiu-se uma lição de geologia e foi interessante interpretar a coexistência de milhões de anos entre o xisto e o granito (GC85A7J).

Descemos depois a serra e prosseguimos à descoberta da aldeia do Trebilhadouro (GC14Z63), em busca do mito das “três bilhas de ouro”. A curiosidade já tinha sido desperta há algum tempo, mas apenas agora se concretizou. Deixámos o carro numa sombra do estacionamento e aproveitámos para ler a história recente da recuperação da aldeia, desde o abandono até ao turismo. Subindo pela calçada, foi muito agradável descobrir as casas típicas e os espaços jardinados, ideais para umas férias bucólicas, longe do bulício citadino dos dias modernos. Apesar de pequena, a aldeia é muito acolhedora e parece estar muito bem recuperada.

Depois de calcorrearmos a aldeia fomos à descoberta das suas gravuras rupestres (GC63GKR). Como estava calor, a subida inicial ainda trouxe algum desgaste físico, mas assim que assentámos os pés no planalto tornou-se fácil chegar ao local histórico-artístico. A vegetação envolvente rasteira parece já ter recuperado do incêndio, mas seria bom que as encostas não sucumbissem aos eucaliptais. Chegados às gravuras aproveitámos para ler sobre o seu legado histórico. Fomos depois investigar os riscos e as formas descritas.

Deixando o Trebilhadouro para trás, descemos pela estrada ao reencontro do rio Caima e chegámos à barragem Eng. Duarte Pacheco (GC161RE). O manto de água é bastante fotogénico, em particular com uma boa exposição solar. Na travessia da barragem parámos a contemplar a água que escorria pela parede inclinada. Ficou a vontade de descer por ali em escorrega. Contornando a albufeira, fomos apanhar o rio depois da curva e cirandámos pela ponte e outros recantos (GC7ZKFZ). É sempre bom desconfinar na Freita.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

 

Thursday, 14 May 2020 17:00

Wish you where, Gerês

Regresso à Serra do Gerês em jeito de rememoração, saudade e homenagem, passados cinco anos desde o dia da ausência do Roberto. Chegamos à bucólica aldeia do Xertelo envoltos por uma névoa muito pitoresca e com o sol ainda escondido. Contornando a aldeia, passámos ao lado do fojo do lobo e prosseguimos pelo caminho da serra em busca dos grandes horizontes geresianos. Por entre os farrapos de nuvens e névoa era possível ter uma visão parcial do vale vertiginoso do rio Cabril, em particular para a margem granítica e inacessível do outro lado.

O caminho serpenteou pelo monte e levou-nos até ao estradão que segue para as Sete Lagoas. Entramos depois no trilho pastoril e seguimos em direção à Laje dos Infernos. Logo depois de cruzarmos o ribeiro, o trilho subiu pela encosta inclinada e cada passo levava-nos para o lado mais isolado da serra. Ao chegarmos à crista aproveitamos para subir ao pináculo da Laje do Infernos, furando pelos blocos graníticos erráticos. Já sem névoa, no topo foi possível ter uma visão inteira do enorme vale, acabado de pintar pelas cores da primavera. Do outro lado, a encosta descia abrupta desde a crista da Terra Brava. No fundo do vale, vindo das Minas dos Carris, descia a corga de Sabroso, formando a meio três cascatas sucessivas e idílicas, felizmente bem resguardadas dos efeitos turísticos pela inacessibilidade.

Prosseguindo pelo trilho, espreitamos ao longe os pináculos de outras aventuras, em particular das Montanhas Nebulosas, cruzamos a crista montanhosa e descemos para os prados verdejantes da Sesta da Lamalonga, por onde em décadas passadas corriam os detritos das Minas dos Carris. Estávamos então a meio da caminhada e aproveitamos para almoçar junto a um dos abrigos.

Continuámos depois em direção aos prados e currais do planalto de Couce e avistámos por fim o circo glaciário dos Coucões de Coucelinho, encabeçado pelos contrafortes graníticos que rodeiam o abrigo. Fomos cirandando pelos sucessivos prados e, ao invés de seguirmos para a Lagoa do Marinho, arriscamos uma abordagem mais radical na descida da corga da Pena Calva. Chegados ao limite acessível, o relevo tornou-se bastante inclinado e imprevisível, acompanhando o sulco paisagístico cavado pela ribeira. Com quatro cascatas/lagoas sucessivas de dimensão considerável, o magnífico cenário valeu por todos os esforços. Parece uma escadaria de gigantes por onde a natureza teve o bom gosto de verter água.

Como o percurso pela ribeira parecia complicado, subimos a encosta e continuamos por uma espécie de trilho à mesma cota, aparentemente usado pelas vacas. Voltando à ribeira, e alternando entre as margens, seguimos até à ponte do Porto da Laje. Cumprimentámos as Sete Lagoas do rio Cabril e subimos pelo estradão até ao trilho marcado que segue pelo canal de água para Xertelo. Para terminar, é agradável caminhar à mesma cota, enquanto se vão apalavrando as histórias de outras aventuras. Ficou também a vontade de regressar num dia de verão, percorrendo o trilho da outra encosta, que cruza o rio Cabril próximo do fatídico Poço do Mouro. O percurso, com cerca de 22 km, pode ser visto aqui.

Após um período de confinamento, por entre amigos e memórias, foi fantástico regressar à montanha e pastorear a alma pela liberdade geresiana. Wish you where, Gerês.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

 

 

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