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01 March 2012 Written by  António Almeida

Fotografar água

No passado fim-de-semana tive o privilégio de participar no evento Let’s talk about geocaching. Uma das atividades previstas para o evento era uma pequena caminhada pela Rota das Cascatas que proporcionou diversos assuntos fotográficas onde a água era uma constante, qualquer que seja a sua apresentação (cascata, curso, reflexos, congelamento da ação…)
Como se aproxima a primavera, apesar de estarmos a sair dum inverno seco, existem diversas possibilidades de se fazer boas fotografias com a água. Fotografar os reflexos dum lago de jardim, o movimento duma cascata ou as ondas do mar, a água imprime interessantes meios fotográficos.


Partilho contigo algumas técnicas simples que certamente te ajudarão a exibir com orgulho os estes momentos… digamos, mais húmidos!

Consegues resistir a uma bonita cascata sem a fotografar?

Cascatas, pequenos cursos de água e até mesmo o movimento das ondas a rebentar na costa são excelentes assuntos de água que imprimem movimento.
É muito simples conseguires este tipo de fotografias que resultam de exposições a menor velocidade.

  • Coloca a máquina em [M] Modo Manual ou [S] Prioridade à Velocidade.
  • O objetivo é conseguires velocidades na ordem dos 2 ou 3 segundos de exposição. Com 1,5s consegues efeitos interessantes mas o impacto é menor.
  • Se utilizares [M] Modo Manual, ajusta a Abertura e o ISO para valores que compensem a velocidade utilizada. Neste caso tipicamente será a menor abertura e a menor sensibilidade.
  • No caso de optares pela [S] Prioridade à Velocidade, o equipamento irá definir, dentro do possível, os valores ideais para a Abertura e ISO.

Fotografar lentinho mas bem firme!

Fotografar a baixa velocidade, bem ao estilo Alentejano, exige apenas alguns cuidados até porque muita coisa junta é uma grande canceira.
O primeiro requisito é a utilização dum tripé. A máquina tem de estar absolutamente imóvel. Podes imobilizar a máquina colocando-a num muro com uma camisola por baixo a aconchegar ou inclusivamente utilizando um safo de feijão (literalmente) que permite ser moldado da forma que desejas.
Utiliza o que desejares mas imobiliza.
Não é boa ideia colocar no carro. A deslocação do ar doutro veiculo provoca movimentos inesperados e a mais pequena sacudidela arruína a composição.
Utiliza o temporizador ou comando para evitar pequenos movimentos na altura de pressionar o obturador. A técnica da radiografia também se aplica. Momentos antes de pressionares o obturador, respiras fundo, não mexes, não respiras e… Pressiona meigamente.
Durante o dia o excesso de luz pode dificultar imenso estas velocidades pelo que deverás fazer alguns testes e provavelmente teres de regressar mais para o final do dia com menos luz principalmente se quiseres fotografar a rebentação numa costa marítima. A alternativa é a utilização dum filtro de densidade neutra que impede a entrada de determinada quantidade de luz. (um dia destes falo nos filtros)

Para ou disparo.

Em total oposição ao que referi anteriormente, a água também é um excelente cenário para congelar a ação. Fotografar o splash da pequena no momento que toca na água ou a abertura de caminho numa enorme poça de água afastando-a lateralmente, são apenas alguns interessantes exemplos em que congelamos o movimento.

  • Novamente coloca a máquina em [M] Modo Manual ou [S] Prioridade à Velocidade.
  • O objetivo é conseguires velocidades rápidas 1/500 ou superiores.
  • Se utilizares [M] Modo Manual, ajusta a Abertura e o ISO para valores que compensem a velocidade utilizada. Neste caso utilizarás uma maior abertura conjugada com sensibilidades maiores para compensar a menor entrada de luz pela grande velocidade de obturação.
  • Tal como anteriormente, no caso de optares pela [S] Prioridade à Velocidade, o equipamento irá definir, dentro do possível, os valores ideais para a Abertura e ISO.
  • Um tripé poderá ajudar a manter a composição uma vez que certamente terás necessidade de fazer diversos disparos até conseguires o resultado que desejas.
  • O flash também poderá ser uma interessante fonte de luz adicional.

Espelho meu, haverá alguém mais bonito que eu?

Conseguem-se cenários bastante interessantes para fotografia com os espelhos de água. Transformar um lago, rio ou charco em espelho e fotografar o seu reflexo não é difícil e resulta sempre em fantásticas composições.
Se fotografas um reflexo a última coisa que desejas são reflexos inestéticos adicionais como a luz do flash, logo… Imagina… Evita utilizar o flash.
Se for mesmo necessário a utilização do flash, redireciona-o para que não incida diretamente no assunto. Se utilizas o flash da máquina, sempre podes colocar uma folha de papel logo à sua frente para espalhar a luz em vez de a projetar diretamente (papel vegetal ou de gramagem baixa é muito bom)
O sol poderá criar reflexos na água que são extremamente inestéticos e reduzem o contraste. Um filtro polarizar colocado na lente da tua DSLR resolve o problema. Ficarás espantado com o que este pequeno acessório consegue fazer.

Explora o dramatismo impresso na água

Mesmo sem movimento a água permite inúmeros cenários de extrema beleza. Um céu nublado em contraste com a água resulta em cenários de beleza melancólica. As cores ardentes do pôr-do-sol refletidas na água oferecem composições dramáticas de luxo.

  • Troca o modo de disparo para a [A] Prioridade à Abertura.
  • Define baixas aberturas para conseguires Profundidade de Campo
  • Monta o equipamento num tripé e desliga o flash.
  • Aqui fazes o inverso, indicas uma baixa abertura e a máquina calcula a correcta exposição dando uma velocidade e sensibilidade apropriadas.

Notas finais

São imensas as possibilidades de fotografia com água, este é um assunto com enorme versatilidade. O mesmo assunto com diferentes velocidades resulta em duas composições bem distintas e interessantes pelo que esta será a variável que deverás controlar na fotografia com água.
Baixa velocidade para transmitir movimento. A luz do dia pode ser prejudicial para fotografia com três segundos de exposição mas em situações de maior défice de luz poderão ser necessárias exposições de 10 s, 20 s ou mais.
Alta velocidade para congelar a ação. No congelamento da ação a utilização de funcionalidades com multi-disparo poderá fazer toda a diferença em conseguir aquela fração de segundo ou simplesmente o melhor Já era.

Fotografar cenários de água com arrastamento a baixa velocidade exige obrigatoriamente um tripé o qual também se pode revelar de grande utilidade para manter a composição desejada em alta velocidade.
Se tens uma DSLR, um Filtro Polarizador além de eliminar inestéticos reflexos de luz, contribui para composições com cores com vida. O céu apresenta-se com tonalidades mais fortes.
O filtro de Densidade Neutra revela-se também um acessório de grande utilidade para reduzir a entrada de luz e conseguir baixas velocidades com muita luz exterior.



2 comments

  • Comment Link António
Almeida 02 March 2012 ajsa

    Sim, tens razão!
    Neste caso foi possível porque a corrente desta cascata, água proveniente do degelo dum glaciar em Chamonix, é extremamente forte com um caudal considerável.

    Numa cascata como a que vimos no domingo seria mais difícil.

  • Comment Link Oscar Migueis 02 March 2012 migueis

    Mais um enorme obrigado por mais esta lição.
    Falas-nos na lição das quedas de água em tempos de 2 ou 3 segundas, mas a foto apresentada foi tirada usando um oitavo de segundo. É assim mesmo?
    Como é que num oitavo de segundo se consegue aquele arrastamento?

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