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Medir a luz
06 March 2012 Written by  António Almeida

Medir a luz

Com este parágrafo não te vou ensinar nada de novo mas vou contextualizar a importância das noções deste artigo para o sucesso de bons trabalhos fotográficos. Quando utilizas o termo fotografia, estás, na sua essência, a referir-te a imagens desenhadas com luz, fotões. Tal como um pintor que trabalha com tintas, o derradeiro segredo para realizares fantásticos quadros fotográficos consiste em saberes fazer uma correta análise da luz que observas e criares a derradeira imagem com a ideal exposição luminosa.

Confuso? Não desesperes, eu ajudo!
O primeiro passo para conseguires a luz ideal é saber a quantidade de luz que no momento atravessa a lente e alcança o sensor. A tua máquina possui um pequeno dispositivo que mede esta luz, o fotómetro, apresentando-te os resultados sob a forma duma escala semelhante a estas presentes na imagem seguinte.

A apresentação da Escala de Exposição, o instrumento de referência que deverás utilizar para medir a luz, depende do fabricante das máquinas mas normalmente apenas é apresentado em Modo Manual [M] e alguns dos outros modos automáticos ou semiautomáticos. Sim! É isso, RTFM!
Esta escala é calculada de acordo com a leitura de luz pelo fotómetro, o triângulo de exposição e mais alguns fatores como a compensação de exposição mas que para já não interessa mexer.

O teu objetivo será colocar o ponteiro no zero da escala aumentando ou diminuindo a Abertura, Velocidade e Sensibilidade ISO para que a fotografia resultante fique bem equilibrada de luz ou resultará numa imagem subexposta (escura) ou sobrexposta (clara, “queimada”). Em cenários “normais”, sem grandes contrastes entre as sombras e luzes altas, o método usual de mediar a luz que existe no equipamento é suficiente para bons resultados, mas existem situações que exigem a tua intervenção para fotografias perfeitas.

Modo de medição Ponderado ao Centro

Neste modo de medição de luz, o processador da máquina irá interpretar a luz medida pelo fotómetro dando maior importância ao centro da composição mas dando também alguma importância, ainda que pouca, ao resto da área. Tipicamente a importância será de 75% ao centro e 25% no resto da composição perdendo a sua importância conforme se aproxima dos limites.
Deverás utilizar este método de medição quando o teu assunto ocupa uma grande área da composição como um retrato, por exemplo. Este método poderá ser também o ideal se o teu assunto se encontra no centro da composição.

  • A principal vantagem da medição de luz ponderada ao centro é que permite um controlo mais ou menos simples na definição da compensação de exposição, um assunto que irei abordar num dos próximos artigos.
  • Se não fizeres um juízo adequado na (tal ainda não falada mas que não vais stressar) compensação de exposição, um cenário com áreas de grande luz, o céu por exemplo, pode resultar em regiões da fotografia sobre-expostas. Certamente já viste fotografias com um bom equilíbrio de luz nos assuntos, por exemplo uma pessoa numa ravina, e a área ocupada pelo céu extremamente exposta (“queimada”).

Modo de medição Pontual

Repara nas marcas que vão aparecendo nestas imagens fazendo lembrar as miras da RTP. Quando espreitas pelo visor da tua DSLR irás encontrar umas marcas/miras mais ou menos semelhantes (estas são da minha D90) e que podem ser selecionadas com o cursor do equipamento (será necessário referir RTFM?) de forma a fixar determinado “rectângulo” – este é o Ponto.

Na medição pontual o equipamento apenas irá ler a luz que esteja dentro deste pequeno rectângulo selecionado, cerca de 3,5% da área da composição, sendo tudo o resto simplesmente ignorado.

  • A medição pontual é ideal para os assuntos que possuem grandes diferenças entre sombras e claros ou para os trabalhos que exigem precisão na medida como é o caso das macros, por exemplo.
  • Apesar da medição da luz ser extremamente precisa, um pró deste método, o contra aparece quando a composição apresenta grandes variações de luz. Para ultrapassar esta questão a solução poderia passar por utilizar uma técnica designada por Bracketing que consiste em fotografar o mesmo assunto com valores de exposição ligeiramente superiores e outras ligeiramente inferiores às definições atribuídas, isto claro, para além da exposição que indicas.

Modo de medição Parcial

Este método de medição é um poço semelhante ao método de medição ponderada ao centro mas com a nuance que a medição é ligeiramente expandida ao ponto medido, mais ou menos a mistura da medição pontual com a ponderada no ponto selecionado. Conta com uma exatidão da medição em 10% da área contra os 3,5% da medição pontual.

O lado positivo deste método é que podes corrigir a exposição do teu assunto mas por outro lado existe o risco do fundo ficar sobre-exposto. A principal vantagem é a de poderes medir corretamente uma região em particular.

Modo de medição Matricial

Esta é a forma de medição mais simples de utilizar e a normalmente predefinida pelas configurações de fábrica. Dependendo do equipamento, a medição utiliza diversos segmentos de medição (normalmente 6 mas podem ser superiores a 16 nos modelos mais sofisticados).
Sem dúvida alguma que este método é o mais versátil especialmente quando não existem grandes variações de luz como a fotografia de paisagem.
O lado negativo, para além da falta de alguma precisão comparada como outros métodos, é a possibilidade do fotómetro ser “enganado” em assuntos mais iluminados.

Notas finais

Como observas é crucial que saibas medir corretamente a luz de forma a obter excelentes resultados. Recorda as diferenças na utilização das três variáveis da exposição (Abertura,. Velocidade, ISO) e utiliza-as de acordo com o que desejas.
Se desejas uma paisagem nítida, deves utilizar a menor abertura possível para maior profundidade de campo, menor sensibilidade ISO para ausência de ruído e, por último, utilizado a medição matricial (método padrão) observas a escala e regulas a velocidade até que a agulha aponte para o zero na escala de exposição. Obviamente, neste exemplo, corres o risco de ter de trabalhar com velocidades muito baixas pelo que há a necessidade de utilizar um tripé e, já agora, como não existe flash com capacidade de iluminar a montanha que vês a 20 kms de distância, desliga-o lá.



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