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26 August 2016 Written by 

Gerês em agosto

A Serra do Gerês é mundo maravilhoso erguido pela minúcia da natureza. Os rios correm cristalinos pelos vales profundos, os prados escondidos são resquícios de um passado pastoril e os picos parecem pêndulos do tempo. Todas as oportunidades são boas para descobrir este espaço primevo, mas em agosto existem equilíbrios que ficam desvanecidos pelo turismo. As cascatas/lagoas mais acessíveis enchem-se de pessoas e de más práticas, os perigos aumentam e as leis de proteção ambiental tornam-se alíneas esquecidas ao abrigo de interesses questionáveis.

Comecei a descobrir a Serra do Gerês há cerca de 6 anos atrás. Desde então, regresso todos os anos como um peregrino em busca da sua fé. A cada descoberta sinto-me como se estivesse a construir uma casa de memórias e é sempre um prazer retornar a este domicílio sentimental. Por aquilo que tenho descoberto, pela experiência adquirida e por aquilo que aprendi com amigos que partilham esta paixão, divido o Gerês em 3 níveis de descoberta: o Turístico, o Escondido e o Profundo.

Mata da Albergaria

O Gerês Turístico estende-se pela vila, pela albufeira, pelos miradouros e pelas cascatas acessíveis. É anunciado em postos de turismo, imediato e relativamente fácil de descobrir. Mesmo sem querer, é inevitável passar pela Albufeira da Caniçada, percorrer as estradas da Mata de Albergaria, subir ao Miradouro da Pedra Bela, visitar a Cascata do Arado, reencontrar o passado no museu/aldeia de Vilarinho da Furna ou admirar o mosteiro e a cascata de Pitões das Júnias. Entre os trilhos homologados, quem quiser uma fazer uma caminhada curta e com perfume a Gerês Escondido pode percorrer o trilho da Calcedónia.

Para além dos lugares divulgados pelo turismo existem outros que se tornaram tão famosos que é muito fácil chegar lá, como a Fecha de Barjas, mais conhecida como Cascatas do Tahiti. Em agosto, todos os dias, centenas de pessoas passam pelo local. Depois, uma mistura de fatores, tais como inclinação acentuada, pedra escorregadia, inexistência de estruturas de apoio e vontade de aceder às lagoas inferiores, faz com que os acidentes sejam recorrentes. Este ano, em agosto, passei por lá manhã cedo para fazer umas fotografias, sem os habituais turistas, e é lamentável o lixo que por lá se encontra.

Cascata de Pitões

As lagoas do rio Homem também se tornaram muito famosas entre os turistas. Em plena Área de Proteção Total do parque, onde é proibido aceder sem autorização prévia, as lagoas perfazem as delícias dos veraneantes. Tal acaba por redundar numa situação no mínimo caricata, em que as entidades competentes fecham os olhos aos inúmeros turistas e ao lixo deixado para trás, mas depois multam cegamente quem passa pelo caminho que dá acesso às Minas dos Carris.

O Gerês Turístico apresenta locais fantásticos, mas em agosto pode sofrer em demasia pelo excesso de turismo. O que fazer? Avançar para o Gerês Escondido! Todos temos gostos distintos, mas sempre que passo pelos sítios mais turísticos do Gerês questiono-me como é que havendo tanto por descobrir as pessoas escolhem sempre os mesmos locais, quer seja por preguiça ou desconhecimento. Por outro lado, confesso que sinto um contentamento egoísta pela realidade. Longe das multidões e dos roteiros turistas, existe um Gerês Escondido que vale muito a pena descobrir. É preciso caminhar, mas com poucos quilómetros é possível chegar a locais fantásticos, tais como: o Pé de Cabril, o Prado do Vidoal, o Poço Azul ou a fraga de S. João.

Vilarinho da Furna

Depois de se palmilhar o Gerês Escondido já não haverá volta a dar: querer-se-á sempre mais! Rapidamente seremos confrontados com a inquietação sobre o que haverá para lá das curtas distâncias geresianas. É inevitável pois que se entre pelo Gerês Profundo, um mundo encantado e apelativo. Tudo se tornará então grande, cavado, selvagem e inesquecível! As míticas Rocalva e Roca Negra, as Minas dos Carris,  o Pico da Nevosa, as Sombrosas, o Concelinho ou a Fraga do Paúl. Enfim, uma infinidade geresiana de contemplação e solidão. Porém, naturalmente, o Gerês Escondido e Profundo obrigam a cuidados redobrados e a sua descoberta implica previamente uma caminhada de experiências e conhecimentos acumulados.

Todos os motivos e todos os meses são bons para visitar o Gerês. É possível escolher os locais e as aventuras à medida das circunstâncias e das nossas características. Porém, em agosto, o Gerês Turístico pode não ser a melhor opção. Existe um mundo incrível por descobrir, onde os maus turistas não chegam e a serra é suficientemente grande e acolhedora para albergar todos os nossos sonhos e expetativas!

Roca Negra

Artigo publicado em antoniocruz.pt.



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