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ValenteCruz

ValenteCruz

Saturday, 01 June 2019 17:00

Por estes três rios acima

A visita ao Trilho dos 3 Rios já estava reservada há algum tempo, mas apenas agora se concretizou. Os relatos e as imagens foram aguçando a curiosidade. Tratando-se de um percurso que acompanha 3 rios que descem das serras os motivos de interesse por norma evidenciam-se apenas por si. 

Saindo de Ribeira de Fráguas rapidamente chegamos ao rio Filveda, do qual já conhecíamos a famosa cascata, onde encontrámos um parque de merendas. Passando por parques e pontes, o trilho serpenteia pelo rio de forma harmoniosa. Com um arvoredo diverso e muito interessante, um rio fotogénico, numa sombra contínua, esta é parte mais fantástica do trilho.

Mais à frente, nos Túneis do Cavouco surgem construções abandonadas, já engolidas pela vegetação, lembrando um mundo distópico a fazer o caminho de regresso a uma natureza mais primeva, entre as ruínas de uma humanidade esquecida.

Passamos pelo Açude dos Ingleses e pelo moinho do Regatinho, deixamos o rio e deambulamos pelas ruas da aldeia. Dali foi sempre a subir até ao Cabeço dos Mouros, de onde descemos para as ruínas do Lagar de Azeite. Imaginamos que esta parte do percurso apenas exista para fazer a ligação, dado que é desinteressante. Lá em cima, olhando em volta, é desolador ver tanto eucaliptal.

Já no rio Pequenino, os motivos de interesse regressam. Esta parte é também muito agradável, acompanhando o cirandar sossegado das águas. Passando por campos abandonados, chegamos à confluência deste rio com o Caima, que desce do planalto da Freita. Sobranceiro sobre o rio, o percurso inverte depois no Palhal e prossegue para o final. Com a promessa de uma cerveja para celebrar a chegada, fica a certeza de termos concluído um excelente percurso, mormente no Filveda.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Saturday, 18 May 2019 17:00

Ancestral Ansiães

No regresso de um passeio pelas arribas do Douro, e depois de um dia com os pés na Ruta de los Túneles, passamos por Carrazeda de Ansiães para visitarmos dois locais de interesse inadiável. A curiosidade sobre a Cascata da Ola, na fraga da Pena Amarela, surgiu precisamente pelo nome da fraga, descoberto por acaso quando andava às voltas com uma Pena Amarela mais a sul, na serra da Freita.

Um pouco ao arrepio das indicações, fomos estacionar um pouco mais abaixo do indicado e fomos espreitar um outro miradouro, mais próximo da cascata, onde aproveitamos para registar a nossa passagem. No regresso, paramos então no lugar recomendado e descemos pelo trilho até ao miradouro, onde encontramos uma vista vertiginosa sobre a cascata e o vale. A placa informativa sobre o número de pessoas permitidas sobre a plataforma não alvitra muita segurança, mas na verdade e estrutura parece bem firme. Ficou também a curiosidade em chegar mais próximo da cascata e eventualmente descer em canyoning. Certamente será uma experiência marcante, tendo um vazio no chão e as vistas no vale do Douro.

Continuando a viagem, seguimos à descoberta do ancestral Castelo de Ansiães. Logo que entramos no espaço muralhado percebemos a importância e imponência que deve ter tido nos séculos passados, sendo inclusive anterior à nacionalidade. É uma pena que o espaço tenha sido abandonado, mas tal também lhe conferiu um certo encanto. Subindo a encosta chegamos à impressionante antiga igreja, junto às portas derradeiras.

Entrámos e continuamos a subir. Passamos pela cisterna e terminamos junto ao VG, de onde se vistas plenas sobre o castelo e o vale circundante. Ao longe, por entre as nuvens, o sol preparava-se para a despedida. Antes de deixarmos Ansiães ainda fizemos mais uma paragem junto ao posto turístico mais abaixo. Por uma série de casualidades acabamos por dedicar menos tempo de visita a este castelo, mas tal também pode ser um ótimo motivo para regressarmos.

Como já era hora de jantar, achamos que seria boa ideia irmos à descoberta da gastronomia local. A escolha acabou por recair no Convívio e ficamos deliciados com a experiência. Foi a forma perfeita de terminamos as mini-férias pascais!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Saturday, 11 May 2019 17:00

La Ruta!

O regresso, cerca de nove anos depois. A nossa primeira grande aventura! Na altura, ainda iniciantes no geocaching e com muita vontade de descobrir os melhores percursos e locais, La Ruta de los Túneles surgiu como uma obrigatoriedade inadiável. A experiência foi tão incrível como inspiradora e o percurso é absolutamente fantástico! Com o passar do tempo surgiu a vontade de regressar, mas a Valente ia adiando as vertigens. Quando soubemos que a antiga linha ferroviária estava a ser recuperada percebemos que era a oportunidade perfeita.

Depois de no dia anterior andarmos pela arribas do Douro, seguimos manhã cedo de táxi para a estação de La Fregeneda. Desta vez iríamos em sentido contrário. Depois das fotos da praxe, iniciámos a caminhada, que viria a revelar-se de surpresa em surpresa. A primeira foi descobrir que o famoso e longo primeiro túnel estava encerrado. Como alguma imaginação lá conseguimos encontrar uma alternativa.

As obras decorrem céleres, com a colocação de passadiços de madeira sobre as pontes, proteções laterais e placas informativas. A paisagem mantém-se fantástica e cada vislumbre é um motivo de paragem e registo. Mais à frente encontrámos o também famoso túnel dos morcegos encerrado, com um percurso alternativo já referenciado oficialmente. Estávamos então prestes a entrar na zona mais impressionante, com pontes curvas que entram em túneis por penedos adentro. Naturalmente, o facto de as pontes já terem passadiços seguros faz com a experiência seja menos impactante. Na primeira travessia tínhamos pouco espaço para testar as vertigens. Assim ganha-se em segurança e isso talvez valha por todas as sensações.

Já perto do final encontrámos alguns trabalhadores e descobrimos que não era boa ideia prosseguirmos pela linha, por estar interdita enquanto decorrem as obras de recuperação, algo que por vontade inadiável ou desatenção não nos tínhamos apercebido. Resolvemos então fazer um desvio e fomos apanhar o GR 14 - Arribas del Duero, que nos devolveu a Portugal. Felizmente já tínhamos passado a parte mais fantástica da rota e o percurso, ao aproximar-se do Douro, também se torna muito interessante. Terminamos encantados pelo regresso a este monumento natural, redesenhado pela engenharia humana. Foi ótimo voltar a este lugar onde já tínhamos sido felizes e que tão boas recordações nos traz!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

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