24de Janeiro,2022

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ValenteCruz

ValenteCruz

Sunday, 05 May 2019 17:00

Douro das Arribas

Em busca das melhores vistas das arribas sobre o Douro, ainda do lado português, arrepiamos caminho até ao miradouro do Carrascalinho. Desde a aldeia de Fornos, seguimos pela estrada, que inicialmente parecia suspeita, mas que nos levou a bom porto. Neste caso, literalmente, a bom miradouro. Estacionamos na rotunda improvisada e prosseguimos a pé. Rapidamente chegamos à arriba e ficamos impressionados com a magnificência da paisagem. Este Douro faz-nos sentir muito pequeninos, com as encostas escarpadas e uma linha de água que forjou o seu caminho por entre a rocha ao longo de milhões de anos. Como o céu estava a ameaçar, as fotos e as vistas foram-se precipitando e não pudemos aproveitar o local quanto desejaríamos. Ficamos curiosos com a existência de uma casa em ruínas perto do local. Apesar do acesso condicionado, a paisagem convida a ter um domicílio por ali.

Seguindo no trilho das arribas do Douro, fizemos mais uma paragem no miradouro do Salto de Saucelle. Findos os trabalhos da construção da barragem, o local parece ter-se revitalizado pelo visível interesse turístico. Continuamos depois para o Mirador del Fraile. As imagens que tínhamos visto eram suficientemente promissoras, mas ainda assim ficamos assoberbados com a imponência do local. Provavelmente, é o lugar mais impressionante do Douro, tanto pelos rochedos íngremes que sobem desde o leito do rio para os céus, como pela engenharia humana em ali criar uma barragem entre os contrafortes ibéricos. Estando no miradouro, a vertigem embrenha-se na alma de tal maneira que começam a faltar palavras para descrever o abismo. Entre fotos e contemplações, regressamos ao carro e prosseguimos para o Salto de Aldeadávila, ansiosos pelas vistas a jusante da barragem. Apesar de estar ali a 200 metros, a volta de carro ainda demora uns minutos, até porque a subida final parece serpentar até às nuvens. Chegados ao promontório, continuamos a pé em direção aos miradouros. Foi então que o vale surgiu inteiro, com um enorme espelho de água sustido pela barragem. Ficámos ainda intrigados com uma construção abandonada situada a meio da encosta escarpada que existe do lado português. O acesso parece muito difícil, mas as vistas devem compensar.

Para terminar o périplo pelas arribas, saímos do Douro e fomos até ao Pozo de los Humus, onde as águas do rio Uces se despenham numa cascata com cerca de 50 metros e criam um poço com quase outros tantos metros profundidade. A visita no inverno deve ser mais impressionante pela quantidade de água e pela névoa, mas na primavera também tem o seu encanto. Qualquer que seja a altura, é imperativo ir à estrutura suspensa sobre a lagoa, tanto pela visão da cascata como pelas sensações vertiginosas.

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Saturday, 20 April 2019 10:00

Pela Barca em Santo Antão

Em rota para uns momentos alargados junto ao Douro Internacional, decidimos passar por Santo Antão da Barca de Alfândega da Fé (GC5EAYH). A curiosidade tinha sido desperta há alguns anos atrás numa passagem pela ponte a montante e numa altura em que a albufeira praticamente ainda não existia. Ao contrário do que supúnhamos, o acesso ao local não é directo desde o IC e a estrada de terra ainda dá algumas voltas. À medida que íamos descendo começaram as paragens para fotografar e apreciar as vistas, que são verdadeiramente sublimes.

Chegados ao santuário, começamos por percorrer o espaço, contornando o espelho de água. Para onde quer que se olhasse apetecia tirar uma foto. As barragens deixam-nos sentimentos mistos. Por um lado fazem desaparecer locais interessantes e podem ter um grande impacto natural; por outro lado compreendemos a utilidade energética e permitirem ainda o aparecimento de albufeiras espetaculares, como esta do mítico Sabor, um rio que já ofereceu grandes aventuras pelas suas margens inóspitas.

O espaço parece oferecer excelentes condições. Ficamos inclusive com a sensação que poderá estar a ser desaproveitado, quer pela existência de estruturas sem uso, como pelo já referido acesso deficitário. Seja como for, o local tem todas as condições para se tornar num excelente pólo turístico da região. Aproveitando que já passava do meio-dia e a viagem ainda ia a meio, decidimos estender a toalha e almoçar por ali. No final, subimos o monte e fomos fazer mais alguns registos, tanto fotográficos como geocachianos. Para mais tarde recordar e regressar!

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

Os mosteiros sempre exerceram sobre mim um estranho encanto. Quer fosse por ter crescido em fascínio perto de um, por imaginar a vida estendida pelo ascetismo e bucolismo para lá do que poderia compreender ou simplesmente pelas histórias de passagens secretas para tesouros de metáforas inimagináveis.

A curiosidade sobre o Mosteiro de Grijó revelou-se sobretudo pela proximidade atual e no âmbito de uma visita recente à Serra do Pilar. Porém, bastaram poucas pesquisas e imagens para antecipar a viagem. Chegados à vila, ainda mal tínhamos contornado em espanto o tamanho da quinta murada quando entrámos no pórtico exterior e assentamos o olhar na imponente fachada, ladeado por algumas placas que lembram a passagem e inspiração de Júlio Dinis.

Como era hora do almoço, e não era possível visitar no imediato o mosteiro, fomos dar uma caminhada pela história. O corredor de árvores seculares oferecia uma boa sombra e lembrava a passagem lenta do tempo. Saindo do perímetro, seguimos na direção do Padrão Velho, do qual haveríamos de ouvir falar mais tarde, e continuámos na direção do Aqueduto da Amoreira, que já terá esquecido a sua função original e por agora vai servindo de divisória de trânsito. Ainda assim, mantém o seu encanto.

De regresso ao mosteiro, fomos tocar à campainha do edifício. Surgiu então o sr. Adelino, de simpatia em riste e com a história do local na ponta da língua. Inocentemente, ainda perguntámos se a visita era paga. Mal sabíamos que estávamos prestes a divagar pelo tempo na mestria de quem parece gostar do que faz acima de qualquer preço, verdadeiramente como se fosse um propósito de vida, numa das mais interessantes visitas do género que já fizemos.

Encantados, fomos andando de pormenor em pormenor, desde a história minuciosa do edifício, ao claustro e às suas figuras, passando pelo magnífico túmulo de d. Rodrigo Sanches, o segundo mais antigo de Portugal, e naturalmente pela fabulosa igreja. No final, ficou a certeza que tanto pela história como pela arte de a contar, o Mosteiro de Grijó é de visita obrigatória! Fica a vénia secular pela partilha!

  

 

Artigo publicado em cruzilhadas.pt

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